segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Lembro, lembro, lembro.

É, tinha que ser o seu aniversário pra criar a necessidade de escrever de novo.
Tinha que ser o 6 de dezembro pra eu perder a vergonha e dar as caras no blog.
Tinha que ser domingo. Tinha que ser madrugada.
E aí, com fundo musical, surgem as lembranças e as palavras se atropelam.

Se eu disser que eu lembro do primeiro dia de aula, do primeiro olhar trocado, da pele bronzeada, do moleton branco, da mancha, dos olhos verdes, você acreditaria?
Eu lembro de ser apresentada na aula seguinte, sem querer. Lembro de você invadindo a rodinha das minhas amigas pra me dar oi no dia seguinte, me surpreendendo absurdamente. Lembro da palpitação.
Lembro da expectativa pras aulas de educação física, lembro daquele abraço em que eu me perdia, lembro do cheiro, da textura do cabelo. Lembro de te dar colo. Lembro de te procurar em cada recreio. Lembro da alegria que era encontrar teus olhos em meio à multidão.

Lembro da sua presença em casa, lembro da gente fazendo filminhos pras aulas de religião. Lembro que a gente era sempre o casal que interpretava os pais. Lembro de segurar tua mão embaixo da mesa. Lembro de dar aqueles pulinhos sutis no sofá pra chegar mais perto. Lembro da inocência.

Lembro da tua alegria que muitas vezes se confundia com loucura. Lembro de você cantando marchinhas de carnaval. Lembro de você cantando Rita Lee.
Lembro das excursões, de você com ciúmes. Lembro da gente no teleférico.
Lembro de matar a aula da tarde pra ficar com você no corredor gelado do laboratório. Lembro de querer quebrar todas as regras.
Lembro das cartas, dos bilhetes, das ligações, das visitas, das brincadeiras.

Lembro de tantas promessas, de tantas palavras.
Lembro de querer resolver todos seus problemas, de querer te levar comigo pro mundo, pra sempre.
Lembro da ansiedade de revelar o filme que tinha sua foto. Lembro como a carregava comigo pra cima e pra baixo. Lembro que era minha inspiração. Lembro do porta-retratos do seu quarto.

Lembro como eu fui embora e como foi difícil ficar longe.
Lembro como o tempo passou rápido e, de repente, eu lembro de te perder de vista.

O tempo passou e eu só na lembrança...

Aí eu lembro bem da decepção. Da dor. Lembro bem do dia, de atender o telefone achando que você ia mais uma vez me salvar. Lembro de sentir o chão fugindo dos meus pés. Lembro do meu peito apertado e lembro de procurar por ar e não encontrar. Lembro direitinho onde estava. Lembro cada palavra que você falou, que eu falei.

Lembro de um tempo prolongado de não poder lembrar de você.

Lembro de uma pista, de um email. Lembro do pretexto de um reencontro, que dentre tantos presentes e saudosos, eu só queria saber de você.
Lembro que quando te vi de longe, entrando no bar, lembrei de tudo e senti meu coração pronto pra sair pela boca.
Lembro do papo, das amenidades, das desculpas. Mas lembro de sentar perto, lembro dos olhos nos olhos.

E aí que passou mais tempo, e eu nem lembrava mais.

Mas aí foi a sua vez. Você apareceu sem querer na minha casa. E eu lembro que cheguei lá sem saber. Isso foi outro dia, mas eu lembro como se fosse ontem o impacto no peito de te ver ali, de costas, ao meu alcance. Lembro da roupa, do cheiro, do lugar, da boca seca, das pernas bambas.

Lembro que aquele abraço me levou pras nuvens. Lembro de trocar olhares. Lembro de me cobrar segurança pra agir. Lembro do desespero que era não te deixar escapar. Lembro perfeitamente do momento que antecedeu o beijo. Lembro de esperar 16 anos. Lembro de perder meus dedos entre os seus cabelos. Lembro da sua mão firme na minha cintura. Lembro das nuvens.

Depois de um tempo, eu lembro de cair.

Lembro de prometer não pensar mais em você.

Mas hoje essa promessa eu fiz questão de esquecer.

2 comentários:

July Malta disse...

Minha querida!
Que texto lindo e emocionante! Como sempre usando as palavras com maestria!
Comentamos esses dias que vc precisava voltar..
Um beijo enorme cheio de carinho..

Pri Ann disse...

Ai amiga...que post lindo e, como todo poeta, sofrido... vc e o Rei competem pra ver quem vai mais fundo nas nossas emocoes...mas o lindo disso tudo e' realmente ter essas emocoes.... e' o 'foi' que 'sempre sera'... bjos fungando aqui!!