segunda-feira, 26 de julho de 2010

Dom de cuidar

Hoje acabamos de voltar de mais uma temporada no Einstein, bem longa inclusive, 18 dias dessa vez.
Pelo tempo prolongado, hoje vi (e vivi) uma cena que até hoje não achava possível.
Achei que sair do hospital era só alegria.
Achei que os profissionais de saúde estavam acostumados com o vai e vem dos pacientes.

Desde sábado estamos no "clima de alta". A médica responsável pelo "milagre" foi se despedir de nós no sábado. Ela desejou boa sorte, deu um abraço e, com a voz meio embargada, foi embora sem olhar pra trás. Foi bom que ela não olhou. Ia encontrar tanto eu quanto meu pai chorando, sem saber ao certo se tínhamos agradecido o suficiente. Sem saber ao certo se há como agradecer o que ela fez por nós.

Os outros médicos se despediram com menos emoção, talvez por serem "durões" ou por saber que em breve nos veremos nos consultórios da vida para os retornos.

Mas a cena de hoje foi do posto de enfermagem.
Quando finalmente acabaram as medicações e finalmente tiraram o cateter, quando finalmente ele vestiu suas roupas (e seus sapatos), quando enfim o "transporte" veio buscar meu pai com a cadeira de rodas e ele cruzou a porta do quarto com um suspiro profundo, toda a equipe que cuidou tanto dele parou o que estava fazendo e se colocou no caminho para se despedir. Algumas das meninas choraram, o que nos fez chorar também. Emocionou até alguns auditores que pararam por um segundo de olhar para os papéis. Emocionou quem levava a cadeira e quem levava o carrinho com as malas. Ficamos todos sem palavras. E é isso, por mais que eu diga, que eu olhe no olho, que eu mande presentes, nunca poderei agradecer o carinho com que meu pai foi tratado por essas pessoas. Admiro mais do que nunca o dom que elas têm de se doar, de doar seu tempo, sua atenção e seu carinho.

Nunca vou esquecer do Javan, que parecia um escudeiro fiel, do Valentin e sua disposição infinita, do João e seus olhos claros (prontos pra aparecer no Grey's Anatomy), do Edimilson e sua voz doce dando bom dia, do Fabrício e seu ânimo, da Viviana e toda sua doçura, da Luciana e sua eficiência, da Giovana boneca, da Carol e seu riso fácil, da Renata e seu carinho (e sua emoção), da Eva e sua segurança nos nossos momentos de desespero, enfim... Eles têm todo meu respeito e toda minha gratidão. Pra sempre.

Parabéns a todos os profissionais da saúde. A atividade de vocês é a mais louvável.

2 comentários:

July Malta disse...

Primeiro de tudo, que alegria ter o papai de volta em casa, a família reunida, o coração acalentado por saber que estão todos de volta ao ninho!
Agora o meu parabéns aos profissionais que cuidam e dedicam o tempo aos outros e não têm vergonha de mostrar todo o carinho que sentem por uma família tão maravilhosa.. É inevitável! Seu pai é um querido, sua mãe um amor e vc uma soma dos dois!
Que o período em casa seja de alegria e muita saúde!
Bjos

Daniel disse...

É impossível não se emocionar com o seu texto... Sempre falei que você tem o dom da escrita Ká. Você descreve como ninguém suas emoções... E esse lindo texto só comprova o que eu disse. Fiquei muito emocionado com cada linha e principalmente com o desfecho da história... Papis em casa de novo e feliz !!!