quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Eu e a Língua

Nessas épocas de Reforma Ortográfica e movimentos de "Trema, eu nunca vou te abandonar", comecei hoje a rever a minha história com a Língua Portuguesa.

Fui criada com a minha própria e exclusiva professora de português particular, mais conhecida como mamãe: uma apaixonada pela matéria.
Ela diz que nunca conseguiu me ensinar nada, porque eu sou impaciente e nunca consigo ouvir a explicação até o final... Em minha defesa, posso dizer que é um pouco irritante nunca ter como resposta de "-Mãe, isso é com S ou com Z?" uma simples palavra... A resposta é sempre um capítulo da Gramática, cheio de explicações, exemplos e algumas vezes justificativas provenientes do latim...

Puro engano ela achar que eu nunca prestei atenção nessas miniaulas diárias! Tanto prestei que sempre que tenho dúvidas, tento me recordar delas. E, quando o assunto é novo, grito mais uma vez, sem titubear!
Por essa proximidade, durante os tempos de escola, sempre tive relacionamentos peculiares com os professores de Português e Gramática.

No Arqui, fui do amor ao ódio mortal: amava a professora da 5a série, Sueli, que percebeu meu interesse em poesia, incentivou e investiu. Nunca vou esquecê-la!
Nunca esquecerei também do maior dos meus desafetos, a Vera, do 1o colegial. Brigávamos todo santo dia por desavenças de análise sintática. Quase sempre eu ganhava, o que me rendeu uma certa reputação entre os amigos bagunceiros, que deliravam quando eu levantava a mão com aquele ar de louca, desafiadora de autoridade e teimosa. A mulher simplesmente me odiava (com toda razão, compreendo), "esquecia" de corrigir questões das minhas provas, tentava ignorar minha mão levantada durante a aula e chegava a gaguejar em meio às nossas discussões.

Já no cursinho para concursos, um fato ainda mais engraçado... O professor de Gramática, palhaço, simpático e amigo de todos, não ia com a minha cara de jeito nenhum! Acho que ou ele percebia a minha cara de descrença em alguns dos métodos de ensino dele, ou ele sentia minha vontade/ necessidade de confrontá-lo a qualquer momento. Sei que quando eu levantava a mão, as piadas acabavam na mesma hora e surgia um clima meio estranho no ar...

Acho engraçado que com tudo isso criei uma certa intolerância aos erros e assassinatos do português...
Não que eu não os cometa! Sei que sempre escapa um errinho aqui e outro ali (algumas vezes eles me tiram o sono inclusive).
Uma coisa: perco o respeito por uma pessoa instantaneamente se ela fala seje, esteje ou menas.
Já julguei namorados e prospects pela sua redação (escrita e/ou verbal).
Troco com a minha mãe olhares de desespero e beliscões quando médicos ou executivos de banco cometem erros cruéis na nossa frente.
Corrijo letras de músicas, novelas, entrevistas.
Incontrolavelmente.

Mais engraçado ainda é que a minha professora exclusiva, do alto de sua experiência, está encarando a reforma gramatical com bons olhos e eu, essa pupila rebelde, estou odiando tudo! Ah!

Sim, esse texto passou pela correção ortográfica de Mami. E sim, a gente discutiu por isso, como sempre!

5 comentários:

Fernando T disse...

eu fazia isso tb, de corrigir tudo e todos. hoje em dia, fico só vendo, mas é incrível o tanto de gente que eu já deixei de fora de seleção por não saber escrever direito. e nem precisa muito. uma linhazinha que seja já é uma autobiografia.

Fernanda disse...

Ah! Que demais!
Pior que eu tbém tô com preconceito com essa Reforma!
E, sua mammys, dando um exemplo de que tudo se renova, até a língua.
É, amiga, temos que aprender a sermos mais flexíveis e aceitarmos as transformações... principalmente nós que vamos sempre na mesma casinha... rsrs....

beijosssssss

Karen disse...

vou te falar que nunca fui fãaaaa das aulas de português, preferia geografia e educação artística, mas tb nao fiquei feliz com a reforma =(

Euzinha disse...

Ká, amei seu texto! Ai, minha tia Sônia... Privilégio ter uma mãe dessas. Mãe com fator-Neme é tudo! rs... Eu também reviso tudo, prima, até cardápio de restaurante, e perco sono com meus erros. Mas estou com minha tia: a reforma vem para melhorar. Mas que causa receio, causa! Bjos! Saudades de vcs 3!

Clarissa disse...

acho a nossa língua uma coisa fantástica, nunca fui nota 10, porém uma fã das aulas de português gramatica / redação. acho que não sou nenhuma sumidade no assunto, mas tento ser melhor que o básico rss.

gosto muito dos seus textos... se tem erros? não sei, se tiverem não são gritantes... o que gosto mesmo neles é a pitada de humor, realidade, loucura, espontaneidade... tudo na dosagem certa... kkkk

bjumiliga